MEUS VÔOS

quarta-feira, 29 de abril de 2009



Filha da Lua

Eu estou aqui,
Tal qual uma boba da noite
A sonhar.
Inteira como filha da lua,
Pedinte, a te pertencer.
Dei por mim no meio do nada
Delirante fêmea,
Arrebatada em minhas emoções.
Meus grandes enganos
Tão escuros nesta noite
Sem estrelas a tilintar,
Espero uma surpresa
Um recomeço.
De repente, nada mais importa.
Tudo acontece,
Quando te vejo surgir
Trazendo teu brilho
Ofuscando meus olhos
Com tua beleza.
Fico estática, a contemplar-te
Falo de ti lua
Que apareceste para alegrar
Meu coração entregue.

Mérci



Eu sou...

Uma Menina, uma Mulher,
Vim, através do vento
Porque desejei-me assim.
Esqueci medos e proibições.
Alma faminta, despi-me de tudo,
E, nua e desarmada,
Deixei-me entregue...
Pele, corpo, alma,
Desci ao mundo,
E com amor
Deixei-me sonhar nas chamas.
Sou mulher de água e fogo,
De tempestade e desejo,
De medo a explodir em vida.
Assim, as avessas de quem...
Olha e não me vê.


Mérci

quinta-feira, 16 de abril de 2009



Prisioneira de Mim

Nutro um sentimento,
Um carinho diferente
Descompassado e absurdo!
Ouço a batida no peito.
Sensação adormecida
Que lentamente vai aflorando.
Vejo uma alma, um estranho desejo,
Refletido como lanças
Estimulando a vida através da dor.
Num coração aflito.
Tanto de desejo, tanto de querer
Emergindo como um sentimento insano,
Um fogo adocicado,
A queimar minha pele urdida,
Fazendo estarrecer.
Deixando-me sedenta
Ao gozo dos deuses,
Molhada, pelo sêmem da vida,
Minha alma geme
Pedinte, presa
A descobrir no tempo,
O momento exato de ser feliz.

Mérci

terça-feira, 7 de abril de 2009



Presença viva

O vento tomou conta de mim...
Desalinhou meus cabelos
E, suavemente tocou minha pele
Senti sua presença como se,
Embriagasse, absorvesse
Do meu corpo frágil, nú
Desnuda de corpo e alma
Inalei a esperança que ele trazia
E tinha uma mistura afrodisíaca
Cheiro de mato, rosa
Ervas sendo diluídas...
Ao líquido a dimanar sobre meu corpo
Até então estático, frio
Não conseguia divisar nada
Apenas êxtase...
O vento trouxe a chuva
Vestida de cores
Amarelas, azuis, verdes.
Molhou minha pele
Lavou minha alma
E meus póros respiraram
Percebi, que estava limpa
Saudei meu espírito e,
Descansei por mais um dia.

Mérci

Alea Jacta Est


Poema de Mario Ferrari

domingo, 5 de abril de 2009




Busca Interior


A cada manhã,
renovo meu ser
Procuro através das minhas mãos descrever
O que meus olhos podem ver.
A cada dia,
renovo meu ter.
A cada sorriso,
renovo meus sonhos e meus delírios,
Até mesmo os que não posso perceber.
A cada tarde,
renovo minha vontade.
Em cada noite,
adormeço com desejos livres,
soltos, límpidos.
Faço dos meus dias, meus momentos.
Onde pouco a pouco...
Estou aprendendo
a renovar minha vida e,
inovar minha alma.

Mérci




SONHOS


Quando nossos sonhos se acabam
Fica um vazio imenso,
Uma vontade de parar
De desistir de tudo.
É um período difícil,
Em que os dias, as horas,
E até os segundos são longos.
Não conseguimos progredir,
Falta vontade
Falta motivação.
Nos fechamos para tudo e para todos
Como se nada importasse,
Nada tivesse algum valor.
Vamos nos destruindo pouco a pouco.
Por que será que muitas coisas em que acreditamos
Chega ao fim?
Acreditamos na felicidade eterna e,
Muitas vezes, ela não passa de um pequeno tempo.
Tempo suficiente para deixar uma saudade infinita.
Até que um dia...
Um novo sonho surge.
Vem chegando de mansinho
Tentando abrir os cadeados do nosso coração.
Estamos trancados, presos em aflições.
Com um enorme medo de sofrer novamente.
Mas, mesmo assim, o novo sonho vem chegando,
Trazendo em sua mala, tudo novo.
E como todo sonho novo,
É regado de novidades que fascinam e,
Mexem com emoções adormecidas,
Trazendo de volta, a emoção de viver,
Amar, recomeçar...
Nesta hora, quando tudo ressurge,
Podemos avaliar melhor a vida.
Temos que transformar cada pequeno instante,
Em grandes momentos.
Eliminar tudo o que nos entristece e
Dar luz somente ao que nos engrandece.
E quando os sonhos estiverem nas nuvens,
Devemos nos sentir seguros.
Porque estarão no lugar certo.
Então...
Será o momento de construir alicerces e subir.
Para simplesmente voltar a ser feliz.

Mérci

terça-feira, 24 de março de 2009




Amor e querer...


Sinto no amanhecer, tão fresco sabor
Teus doces lábios carregados de mel
Deslizando toda doçura na minha pele
Penetrando nela o teu ardente calor.


Um contato afetivo é algo fiel
O coração em batidas descompassadas
Numa só alma, mãos enlaçadas
E num só corpo, o amor pele a pele.


Um amor que não esqueço, que teve um começo
Perto de ti calo-me, tudo penso nada falo
Sinto-me como alma vil, apenas estremeço


E nesse teu arrepio, enlouqueço ao desejá-lo
O amor que carregas e por ele tanto padeço
Dando-te vida e alma, por tanto querê-lo!


Mérci

segunda-feira, 16 de março de 2009




Ainda não chegou o verão,
mas já sinto o calor abrasando a pele,
como se um amante sensual me
tocasse, fazendo-me elanguescer e suar...
As janelas volto a abrir,
e nua, esparramo-me pela cama longa,
sentindo a lua a me velar,
tendo o manto da noite a
cobrir minha nudez pálida
Quando necessário.

quinta-feira, 12 de março de 2009


Abraço

Abraça-me,
Beija-me
Necessito sentir-te junto a mim.
Preciso acalmar essa chama
Que arde por dentro.
Esfria esse fogo líquido
Que percorre minhas veias.
Acalma meu coração,
Que se descontrola na tua ausência.
Vem,
Preenche-me,
Toma-me para ti,
Faz-me mulher.

Mérci

quarta-feira, 11 de março de 2009

Noturno (parte um)

A lua está de corpo inteiro, nua e alta...
Derramada em todas as paragens,
Tinge tudo de prata.
É noite de verão!
Toda a gente e os insetos
Copulam em estranhas revoadas!
Cio quente na amálgama da madrugada,
Entrelaçam-se e entregam-se
Em todo ponto de lume, nas casas e nos guetos,
Nas camas desarrumadas e nos tetos
A perpetuar, nas atiradas gotas de prazer,
A vida por continuar.
Notívago sou nesta cidade,
Miríade de passantes e penares...
Dispersa na diáfana luz sobre as calçadas,
A poesia resiste nua no compasso da lua.
Vivo de ver, a vista desarmada
Na hora morta pelas ermas encruzilhadas.


Mario Ferrari

Noturno (parte dois)

Procuro um rosto em minhas sombras
E minhas negras asas pairam silentes.
É nada mais que um vulto, devaneio,
Mas teimo em perscrutar em meu planar solitário
Mergulhado no hálito morno dos becos da escuridão,
Daimon soturno e esquecido que não dorme mais.
Em todo meu movimento,
Crua dor padeço em desalento:
O fogo fátuo das paixões caladas,
As bocas entreabertas desejadas
E todos os apelos da alma incansável
Que, na geografia dos quereres,
Entrega-se inconseqüente
Entre a carência e a plenitude.


Mario Ferrari

segunda-feira, 9 de março de 2009

Confidências


Encontro-o em rostos e caras furtivas
E, por um momento, em ti quase creio
Doce mistério, oculto que não receio
Quando assim vens e o desejo me avivas!

Quero muito, e respeito seu estalar de dedos,
Desvelo, incinero e encontro a mim mesma.
E nesse encontro me perco e tal lesma,
Lentamente desvendo os teus segredos

Segredos, num silêncio que sugere sem dizer
Um olhar, um semblante, mágica qualquer
Um sonho transformado em meu perecer...

O sonho perece, mas meu desejo te quer
Num querer imenso, mais que bem querer
Quando destapo teus segredos de mulher!

Soneto em dueto
Mérci e Loucopoeta
©direitos reservados

domingo, 8 de março de 2009



Eu sou mulher...

Sou mulher...
Tenho sonhos que são só meus ...
E, entregue, eu venho
Trazer meu querer e meu olhar.
Sou essa mulher de um lugar distante,
Presa pelo umbigo a um rochedo...
Um sorriso delirante e isento,
Que quer ser o meu segredo...
Sou uma mulher, uma menina!
Um doce mal,
Um doído bem!
Hoje sou sombra, fragmento,
Um estranho movimento
A pairar em meu corpo,
Um sopro de amor no vento
A guardar meu coração prisioneiro.
No rio lacrimal em minhas pálpebras
Serei a estrela da manhã
Que me foge a cada nascer do sol...

Mérci



Encontro

Estenda sobre mim
Sua vestimenta pele
Seus poros em brasa
Sua paixão mais calma.
Durma, em mim, seu silêncio
De menina em colo de mãe
De brinquedo em mãos de criança.
Estenda sobre mim
Sua emoção mais forte
Ventre confuso, cabeça nas nuvens
Que o amor precisa e sonha
Momentos de infinitos delírios.

Cheguei Menina Mulher
E no seu aconchego
Sobre lençóis de sonhos
Esqueci meus medos e critérios.
Serena, fui despindo aos poucos
Meu corpo, meus desejos escondidos
Aguçados de prazer
Um calor, queimando minhas entranhas
Pele, corpo, alma
Adentrei seu mundo,
E com amor
Você me fez sonhar.

Mérci & Amaro


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009



Vento Malvado
O vento malvado me tira do chão
Faz com que eu perca a razão
Depois mostra ao meu coração
Que tudo é sempre ilusão...
Vento que traz no alento
Tão nobre sentimento
Um enorme desejar
E sobriedade em recuar...
Quanta maldade traz esse vento
Faz tempestade em meu peito
E sempre sai de mansinho
Tirando a paz do meu ninho
Mérci

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Olhos que se encontram



Sorrindo com os olhos brilhando
Você me mostrou o valor de um gesto...
Eu, uma pequena mulher
Enroscada em meu mundo.
Boca sedenta,
Às vezes fria
Pés em lamaçais de desejos.
Com sede...
Sede de vida,
Com fome...
Fome de amor.
Despojei mistérios enquanto bebia
A àgua dos seus olhos, a escorrer em sua face.
E seus olhos aflitos
Loucos por um querer
Um esperar ansioso...
Um coração dilacerado,
Guardando sonhos, certezas,
Apenas esperando por seu caminho.
Olhos pedintes a implorar que lhe entenda.
Eu com o coração em estilhaços
Sem saber que rumo tomar...
O imaginei entalhando rostos
Esperando por um amor puro
Sem nada fazer, sem ao menos poder.
Não tem olhos de pedra,
Nem frieza nesse olhar
Apenas um conhecedor de almas...
Que vivencia momentos,
Mostrando detalhes da vida.
Tirou de mim a armadura
E mostrou que tenho péle...
Viu-me despida de alma
Nua de mim.
Nos olhares
Uma paz infinita...
Mostrou-me a fascinante viagem
Introspectiva...
Soube através de meus versos...
Minhas carências.
Então,
Voarei como uma Águia
Em céu aberto atingindo o mais alto dos alpes...
E lá ficarei a lhe observar
Na quietude...
Aguardando o encontro da sua outra metade.
Mérci

domingo, 1 de fevereiro de 2009

BORBOLETRAS
Ana Barreto



Voaram do papel assim, mansamente
Colorindo o céu das mensagens tuas
As minhas verdades que te depus, nuas
Pousaram-te nas mãos, tão docemente

E onde as encontrei, não havia semente
Nem grão de pólen a fecundar o verso
Nem mesmo néctar, que retrocesso
Dessa palavra que se espalha alegremente

Estava escondida na carta que escrevi
Pra te enviar, na hora em que parti
Porém as letras voaram, inesperadamente

E foram se espalhando, colorindo o céu
Despindo o dia, desvendando o véu
Dos meus segredos, dolorosamente...

Fotografia

Estou tentando em vão te vislumbrar
Nas linhas escuras de uma fotografia
Tentando ver em ti o que mais havia
Além do que a máquina pôde captar...



Quem sabe quantos sonhos irias sonhar?
Daqueles que se sonham à luz do dia
Daqueles que colocam o mundo em harmonia
Apenas, tão somente, pra nos encantar?


Aqueles sonhos que te serão a imagem
Das coisas que deseja o teu entendimento
E quem sabe em algum louco pensamento


Tu me vejas refletida na rápida paisagem
E voltes o filme que retrata o sentimento
E me tornes teu amor... Por um momento...


Ana Barreto

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sua Presença

Nua e desarmada,
Entregue, a sonhar
Fico a acreditar teimosa,
Num caminhar para além do horizonte
E nada acontece.
A crer no sorriso,
Indagando a própria sorte,
Sou prisioneira de mim.
Vivo feito sombra a gritar por socorro.
Procuro conhecer-me, querer-me
Devorar-me toda.
Resisto!
Vejo-me como uma mulher insana
Tremendo diante da vida
Respirando e transpirando desejos
Sem ao menos saber quais são.
Escondo um ser cansado,
Por de trás das longas
E pesadas asas, querendo voar.
Quando você vêm
Feito menino travesso
Bagunça tudo, vira-me do avesso
Leva embora minha tristeza,
Envolve-se em meus mistérios.
Injeta em minhas veias,
Todo o seu saber
Sua energia
Seu querer
E faz-me acreditar que não estou morta.

Mérci