MEUS VÔOS

terça-feira, 16 de junho de 2009



O Fantasma do Teu Desejo...

Uma sombra noturna sou a voejar em teu encalço.
Estendo as mãos sem tocar tua pele,
Pairando sobre teu corpo a desejar um pouso.
Escuras asas abjuradas, deserdadas pela paixão,
Venho acalentar teus desvairados sonhos
Enquanto dormes aflita.

Neles sou teu. Sou eu o homem
Que teu corpo espera...
Sou eu o beijo ardente que te altera,
A carícia que tua alma aquece!
O amante que agarra tuas coxas
E invade teu corpo de prazer!

Mas a noite fenece e tu irás acordar.
Desfaz-se o sonho e eu, evanescente,
Hei de partir fluido e irreal
Como se nada houvesse acontecido...
Deixo-te com teus falsos devaneios
E assim voltas a teu mundo e teus receios.

Mas, dize-me, o que é real enfim?
Quanto melhor é o encantamento
Esse sonhado e doce movimento
De eu vir à noite, amável, ficar em ti?
Talvez um dia, quem sabe,
Ter-me-ás inteiro sem precisares dormir...

(Mario Ferrari)

sexta-feira, 5 de junho de 2009


Devaneios

Nutro em meus pensamentos
uma fantasia, um carinho especial.
Um sentir diferente.
O desejo de ter um alguém
de alma bonita, que tenha no olhar
a sensibilidade de um anjo, perfeito.
Com suas belas e grandiosas asas.
Mora longe esse anjo,
e talvez nunca o veja
além dos meus sonhos.
Não é um homem normal
Ele voa e traz consigo estrelas
a tilintar em meus olhos.
Às vezes, sinto-o vindo acalentar
minh'alma entregue
em noites de dissabores.
Sinto seu cheiro,
quando em carinho profundo
toca meus lábios.
Porém ele deixa de ser anjo e torna-se
um homem forte, colocando-me
em seus braços e sacodindo meu coração.
É uma conquista...
Uma viagem emaranhada
num voo alto e mágico.
Ele meio anjo, meio pássaro, meio homem...
Vêm e me enche de felicidade.
Deixa-me sedenta
ao gozo dos deuses.
E molhada pelo sêmem de vida
sinto-me realmente amada.
Acordo!
vejo que foi mais um devaneio.
(Mérci Benício Louro).

quinta-feira, 28 de maio de 2009





É teu corpo o meu percurso,
Todos os recantos de tua pele...
Tens meu desejo largo esboçado em ti.
Teus olhos negros e fundos,
São o esconderijo de meu ser cansado,
O porto noturno e amável que me acolhe
E entre tuas coxas de deusa,
Fenda intumescida a medrar tua volúpia,
Vou me entregar inteiro.
Tua alma encontra a minha.
Sonho.

(Mario Ferrari)

terça-feira, 26 de maio de 2009



"Abraça-me"

Abraça-me, beija-me
necessito sentir-te junto a mim.
Preciso acalmar essa chama
que arde por dentro.
Esfria esse fogo líquido
que percorre minhas veias.
Acalma meu coração que
descontrola-se na tua ausência.
Vem,
Preenche-me
Tome-me para ti
Faz-me mulher

(Mérci Benício Louro).

quinta-feira, 7 de maio de 2009


Desejos

Sou um abismo de sonhos,
Levados pelo curso dos ventos.
Alma pagã, perdida em pensamentos
Um querer de fêmea latejante e túmida.
Minha pele, meu perfume, meu veneno
Fazem de mim uma presa.
Louca e vagante, num vendaval de sonhos,
Sinto o cheiro,
O gosto ávido por um beijo
Feito fera selvagem
Grito o desejo,
No cio...
Engulo-me
E entregue fico
Com olhar flamejante.
Percorro minhas entranhas
Bebo o vinho do prazer
Sacio meu desejo
Lavo minha alma
Volto livre
Pra mais uma vez sonhar.

Mérci

quarta-feira, 29 de abril de 2009



Filha da Lua

Eu estou aqui,
Tal qual uma boba da noite
A sonhar.
Inteira como filha da lua,
Pedinte, a te pertencer.
Dei por mim no meio do nada
Delirante fêmea,
Arrebatada em minhas emoções.
Meus grandes enganos
Tão escuros nesta noite
Sem estrelas a tilintar,
Espero uma surpresa
Um recomeço.
De repente, nada mais importa.
Tudo acontece,
Quando te vejo surgir
Trazendo teu brilho
Ofuscando meus olhos
Com tua beleza.
Fico estática, a contemplar-te
Falo de ti lua
Que apareceste para alegrar
Meu coração entregue.

Mérci



Eu sou...

Uma Menina, uma Mulher,
Vim, através do vento
Porque desejei-me assim.
Esqueci medos e proibições.
Alma faminta, despi-me de tudo,
E, nua e desarmada,
Deixei-me entregue...
Pele, corpo, alma,
Desci ao mundo,
E com amor
Deixei-me sonhar nas chamas.
Sou mulher de água e fogo,
De tempestade e desejo,
De medo a explodir em vida.
Assim, as avessas de quem...
Olha e não me vê.


Mérci

quinta-feira, 16 de abril de 2009



Prisioneira de Mim

Nutro um sentimento,
Um carinho diferente
Descompassado e absurdo!
Ouço a batida no peito.
Sensação adormecida
Que lentamente vai aflorando.
Vejo uma alma, um estranho desejo,
Refletido como lanças
Estimulando a vida através da dor.
Num coração aflito.
Tanto de desejo, tanto de querer
Emergindo como um sentimento insano,
Um fogo adocicado,
A queimar minha pele urdida,
Fazendo estarrecer.
Deixando-me sedenta
Ao gozo dos deuses,
Molhada, pelo sêmem da vida,
Minha alma geme
Pedinte, presa
A descobrir no tempo,
O momento exato de ser feliz.

Mérci

terça-feira, 7 de abril de 2009



Presença viva

O vento tomou conta de mim...
Desalinhou meus cabelos
E, suavemente tocou minha pele
Senti sua presença como se,
Embriagasse, absorvesse
Do meu corpo frágil, nú
Desnuda de corpo e alma
Inalei a esperança que ele trazia
E tinha uma mistura afrodisíaca
Cheiro de mato, rosa
Ervas sendo diluídas...
Ao líquido a dimanar sobre meu corpo
Até então estático, frio
Não conseguia divisar nada
Apenas êxtase...
O vento trouxe a chuva
Vestida de cores
Amarelas, azuis, verdes.
Molhou minha pele
Lavou minha alma
E meus póros respiraram
Percebi, que estava limpa
Saudei meu espírito e,
Descansei por mais um dia.

Mérci

Alea Jacta Est


Poema de Mario Ferrari

domingo, 5 de abril de 2009




Busca Interior


A cada manhã,
renovo meu ser
Procuro através das minhas mãos descrever
O que meus olhos podem ver.
A cada dia,
renovo meu ter.
A cada sorriso,
renovo meus sonhos e meus delírios,
Até mesmo os que não posso perceber.
A cada tarde,
renovo minha vontade.
Em cada noite,
adormeço com desejos livres,
soltos, límpidos.
Faço dos meus dias, meus momentos.
Onde pouco a pouco...
Estou aprendendo
a renovar minha vida e,
inovar minha alma.

Mérci




SONHOS


Quando nossos sonhos se acabam
Fica um vazio imenso,
Uma vontade de parar
De desistir de tudo.
É um período difícil,
Em que os dias, as horas,
E até os segundos são longos.
Não conseguimos progredir,
Falta vontade
Falta motivação.
Nos fechamos para tudo e para todos
Como se nada importasse,
Nada tivesse algum valor.
Vamos nos destruindo pouco a pouco.
Por que será que muitas coisas em que acreditamos
Chega ao fim?
Acreditamos na felicidade eterna e,
Muitas vezes, ela não passa de um pequeno tempo.
Tempo suficiente para deixar uma saudade infinita.
Até que um dia...
Um novo sonho surge.
Vem chegando de mansinho
Tentando abrir os cadeados do nosso coração.
Estamos trancados, presos em aflições.
Com um enorme medo de sofrer novamente.
Mas, mesmo assim, o novo sonho vem chegando,
Trazendo em sua mala, tudo novo.
E como todo sonho novo,
É regado de novidades que fascinam e,
Mexem com emoções adormecidas,
Trazendo de volta, a emoção de viver,
Amar, recomeçar...
Nesta hora, quando tudo ressurge,
Podemos avaliar melhor a vida.
Temos que transformar cada pequeno instante,
Em grandes momentos.
Eliminar tudo o que nos entristece e
Dar luz somente ao que nos engrandece.
E quando os sonhos estiverem nas nuvens,
Devemos nos sentir seguros.
Porque estarão no lugar certo.
Então...
Será o momento de construir alicerces e subir.
Para simplesmente voltar a ser feliz.

Mérci

terça-feira, 24 de março de 2009




Amor e querer...


Sinto no amanhecer, tão fresco sabor
Teus doces lábios carregados de mel
Deslizando toda doçura na minha pele
Penetrando nela o teu ardente calor.


Um contato afetivo é algo fiel
O coração em batidas descompassadas
Numa só alma, mãos enlaçadas
E num só corpo, o amor pele a pele.


Um amor que não esqueço, que teve um começo
Perto de ti calo-me, tudo penso nada falo
Sinto-me como alma vil, apenas estremeço


E nesse teu arrepio, enlouqueço ao desejá-lo
O amor que carregas e por ele tanto padeço
Dando-te vida e alma, por tanto querê-lo!


Mérci

segunda-feira, 16 de março de 2009




Ainda não chegou o verão,
mas já sinto o calor abrasando a pele,
como se um amante sensual me
tocasse, fazendo-me elanguescer e suar...
As janelas volto a abrir,
e nua, esparramo-me pela cama longa,
sentindo a lua a me velar,
tendo o manto da noite a
cobrir minha nudez pálida
Quando necessário.

quinta-feira, 12 de março de 2009


Abraço

Abraça-me,
Beija-me
Necessito sentir-te junto a mim.
Preciso acalmar essa chama
Que arde por dentro.
Esfria esse fogo líquido
Que percorre minhas veias.
Acalma meu coração,
Que se descontrola na tua ausência.
Vem,
Preenche-me,
Toma-me para ti,
Faz-me mulher.

Mérci

quarta-feira, 11 de março de 2009

Noturno (parte um)

A lua está de corpo inteiro, nua e alta...
Derramada em todas as paragens,
Tinge tudo de prata.
É noite de verão!
Toda a gente e os insetos
Copulam em estranhas revoadas!
Cio quente na amálgama da madrugada,
Entrelaçam-se e entregam-se
Em todo ponto de lume, nas casas e nos guetos,
Nas camas desarrumadas e nos tetos
A perpetuar, nas atiradas gotas de prazer,
A vida por continuar.
Notívago sou nesta cidade,
Miríade de passantes e penares...
Dispersa na diáfana luz sobre as calçadas,
A poesia resiste nua no compasso da lua.
Vivo de ver, a vista desarmada
Na hora morta pelas ermas encruzilhadas.


Mario Ferrari

Noturno (parte dois)

Procuro um rosto em minhas sombras
E minhas negras asas pairam silentes.
É nada mais que um vulto, devaneio,
Mas teimo em perscrutar em meu planar solitário
Mergulhado no hálito morno dos becos da escuridão,
Daimon soturno e esquecido que não dorme mais.
Em todo meu movimento,
Crua dor padeço em desalento:
O fogo fátuo das paixões caladas,
As bocas entreabertas desejadas
E todos os apelos da alma incansável
Que, na geografia dos quereres,
Entrega-se inconseqüente
Entre a carência e a plenitude.


Mario Ferrari

segunda-feira, 9 de março de 2009

Confidências


Encontro-o em rostos e caras furtivas
E, por um momento, em ti quase creio
Doce mistério, oculto que não receio
Quando assim vens e o desejo me avivas!

Quero muito, e respeito seu estalar de dedos,
Desvelo, incinero e encontro a mim mesma.
E nesse encontro me perco e tal lesma,
Lentamente desvendo os teus segredos

Segredos, num silêncio que sugere sem dizer
Um olhar, um semblante, mágica qualquer
Um sonho transformado em meu perecer...

O sonho perece, mas meu desejo te quer
Num querer imenso, mais que bem querer
Quando destapo teus segredos de mulher!

Soneto em dueto
Mérci e Loucopoeta
©direitos reservados

domingo, 8 de março de 2009



Eu sou mulher...

Sou mulher...
Tenho sonhos que são só meus ...
E, entregue, eu venho
Trazer meu querer e meu olhar.
Sou essa mulher de um lugar distante,
Presa pelo umbigo a um rochedo...
Um sorriso delirante e isento,
Que quer ser o meu segredo...
Sou uma mulher, uma menina!
Um doce mal,
Um doído bem!
Hoje sou sombra, fragmento,
Um estranho movimento
A pairar em meu corpo,
Um sopro de amor no vento
A guardar meu coração prisioneiro.
No rio lacrimal em minhas pálpebras
Serei a estrela da manhã
Que me foge a cada nascer do sol...

Mérci



Encontro

Estenda sobre mim
Sua vestimenta pele
Seus poros em brasa
Sua paixão mais calma.
Durma, em mim, seu silêncio
De menina em colo de mãe
De brinquedo em mãos de criança.
Estenda sobre mim
Sua emoção mais forte
Ventre confuso, cabeça nas nuvens
Que o amor precisa e sonha
Momentos de infinitos delírios.

Cheguei Menina Mulher
E no seu aconchego
Sobre lençóis de sonhos
Esqueci meus medos e critérios.
Serena, fui despindo aos poucos
Meu corpo, meus desejos escondidos
Aguçados de prazer
Um calor, queimando minhas entranhas
Pele, corpo, alma
Adentrei seu mundo,
E com amor
Você me fez sonhar.

Mérci & Amaro